terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A festa da carne


L’important c’est d’aimer - 1974
[Jean Gaumy/Magnum Photos]




A Complex Shape in the Sky
[Tom Recchion]

Na alvorada do amanhecer, os tambores batem o silêncio morto, deixado no canto. O alarido se ajunta, formoso, dando corda à espuma que é onda e vesícula. E cresce, vai crescendo enchida de ventre e avenidas, o combustível orgânico percorrendo o tubo afunilado. Fermenta o fermentício das juntas alegorizadas e a infância sai disparada a quadra lilás usando bermuda verde e pele de amianto. O jato triunfa o aprendizado e dá força ao momento da vez que não diz. Pedra sobre pedra, a torre segue a sua ponte, na escala dos degraus, só de braços e mãos no desejo possibilidade, latejando o púlpito das pequenas riquezas, o pote derramando seivas e frutos, as flores carregadas. O abraço que respira e faz respirar a esperança, manto do acolhimento. Os pingos de nada são: abandonam as suas cargas de valores agregados perante a força da correnteza líquida nas paredes. Parece não ter fim...até que o cansaço apodera o amparo de cone, as estrelas vão se queixando e caindo aos poucos, como se batidas pelo querer dos tempos. Não podem mais ficar. Nada as prendem. Caem como ovos podres. É quando o céu deixa o azuláceo de seu cerne gargalhada e passa a se fazer de branco bolha, calombo avermelhado. Canudo sem líquido sorve o ar, os pulmões agigantando até o cúmulo do estalo: a explosão, lagoa sem fundo riscada pelos filetes de cores acordadas em oscilações cristalinas. A lua na borda fazendo papel de alfinete bonito. A paz reina serena como princípio de adeus. Memórias do nunca mais no cristalino das retinas, mar que inclui a chama do corpo e que agora agacha areia. O deserto mais que deserto. Eternidade.