sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Falácia

Por detrás, nada mais restava. O mesmo silêncio da primeira vez repercutia com uma ênfase de causar dúvida. Baixava a cabeça em tom de educação. Mas o fato era que enquanto conversavam, sua profundidade estava nas cadeiras e mesas vazias àquela hora do dia. Por isto se ocupava da maneira que podia. Catava com os olhos a fonte da passagem de tempo, tal qual fosse uma maneira de fazer acontecer. Concordância maior não haveria, se assim o fosse diferente. "Sim", disse, "sim", com seu trator de palavras, de onde brotavam a maturescência de um crepúsculo muito bem travestido, em frases lapidares e até mesmo retóricas, cuja verve se reduzia a pó. E isto porque dizia com uma certeza que silenciava a quem não conhecia e que naquele instante escutava pacientemente. À raiz de seu nome, extraiu toda uma lógica que se não justificava ao menos satisfazia.
Mau ator. Porque enquanto proferia seu discurso politicamente correto, um público aplaudia outro evento, em bom e alto som.         
Apesar de ter usado a palavra "frustração" em algum momento, empolou o discurso de um-disse-me-disse que ao fundo e ao cabo só poderiam responder à demagogia de um solilóquio bem urdido.
"Mudar para continuar o mesmo". Falaz simpatia.