terça-feira, 5 de setembro de 2017

Ex nihilo

Uma certa pessoa olha o mar. Medita. O vento frio a faz querer desistir. Põe o casaco sobre si, mas minutos após se levanta. No final da tarde, estar em frente para o mar faz com que qualquer sombra tenha um gesto de adeus.

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Quis me contar uma espécie de história sobre um tal coco que despenca da palmeira. Disse então que metáfora melhor não existe, apesar do contraído desejo incidir na revelação do enigma. É que em momentos de ausência, o mínimo do outro é prêmio.

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Um avião libera o cansaço do meu corpo, ao entender que presença é aquilo que vem de encontro quando se quer. Mas esse tipo de remanejo só é possível quando se tem para fora um pouco do corpo pisoteado. Porque não havendo pausa ou intervalo algum nessa dor, há que se encontrar algum lugar para se morar, um lugar que se possa dizer corpo.

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Quanto mais eu vivo, mais me perco. Quanto mais me perco, mais me reencontro. Caso contrário não me perderia mais. Parece lógico, não? Mas talvez tenha que inverter a ordem: encontrar, para então se perder. Se colocar o encontro no lugar da perda, dificilmente terei a sensação de não me encontrar.
parece óbvio também, não?

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Certa vez vi “Girimunho” nascer perante meus olhos. Encarnei um tipo de vida interiorana, de gente lascada em pedra e terminei vislumbrando uma argila de cunho ardiloso. Não se trata de uma indiferenciação. Se limitação é a palavra, a maleabilidade provinha paciência ao gesto e ousadia às ações. Então, por que não espraiar um pouco do mântico? Aliás, como disse a protagonista em tranquila risada ao falar dos peixes que só ela conseguia ver: “a gente não começa e nem acaba. A gente não é nem velho e nem novo. A gente vive”.

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Se os anos pudessem falar pelo que falta, não teríamos pés para ir e voltar.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Ebúrnea

Subia as mãos para cima da cabeça, levando consigo um punhado de cabelo. Com três voltas fazia um coque, expondo o liso do pescoço ao frio que a amordaçava. Depois colocava os cotovelos em cima da mesa e agia, como se saltasse. Tinha que ser precisa naquilo que oferecia. E isso não por profissionalismo. Mas para evitar o risco de cair em tédio. Não, o tédio não poderia lhe possuir de novo, a ponto de recatá-la numa cama 3x4 de insônia e espera.

No entanto, o silêncio a fazia bocejar alto e em bom som. Estava cansada daquele constante arrumar de malas, das viagens imperdíveis por países desconhecidos, da paz em formato de liberdade.

Há de se convir que tinha traços de grande formosura, que conhecia a harmonia e a ambição por perto. Mas aquilo por si só não bastava. Precisava enturpir-se de cigarros e punk rock, para que pudesse dizer de uma hora para a outra, baixinho: “de que adianta tudo isso?”.

Certa vez confessou diante do espelho um segredo. Ao apalpar as bochechas rosadas com a mão suave, observou que as unhas deixavam marcas na pele por alguns segundos. Unhas que faziam doer uma careta no rosto, os lábios de vermelho natural em posição oscular. Ela percebeu o quanto era ridícula e boba. E que a bobeira a salvava de coisa mais grave.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Desencontros

                                                                 still de Muito além do jardim

Amarrota a gola da camisa de brim e já é quase um começo, embora nem sempre haja espaço para o pleno amanhecer: aquele imaginado e idealizado. Às vezes é necessário um cadafalso para fazer-se desperto ou voador. Quem sabe a sorte esteja mesmo na percepção de que as peças nunca estão postas na direção de nosso olhar? Porque quando examinamos mais de perto, vemos que o travessão antecede a sombra, marcando a base de todas as esperas.

Esperam vagabundos, cafajestes, difamadores, cínicos, vaidosos, egocêntricos e plêiade mais. Esperam pelo que possa ser ideal,imortal, prazeroso. Por isso cruzam as mãos umas sobre as outras quando estão sós, tal qual cruzassem os braços sobre o peito. Quiçá soubessem o calor de uma mão sobre o ombro do outro...seria esta a tal noite de núpcias do instante com a eternidade?

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Da série "A provação da luz": Massa estanque (2016)


MASSA ESTANQUE from Nayra Albuquerque on Vimeo.



O curta começa com uma expressão morna tanto sonora quanto visualmente, como se se tratasse de sonhos, mas depois surge um desequilíbrio: as pessoas se estagnam, viram zumbis a céu aberto. E elas marcham, indiferentes, rumo ao nada. Elas estão entupidas de nada e nem espaço chegam a ter para o vazio, para o zero que reconecta um ao outro. E tanto que sangram nas mãos, nas vestimentas e utensílios. Há quem observa a marcha acontecendo do outro lado. Não percebem que é também com eles. 
A visceralidade do noise vai criando tensões bem interessantes. O desfecho é dos melhores, com o vira-lata se alimentando daquilo que sobrou. Experimental, mas bem conciso.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Do amor



                                                         Window Water Baby Moving
                                                                    [Stan Brakhage]
                                                                              1962



1 - partitura "valsa para quatro ventos":


Lô. diz a  _Sim_Não_: Sim

_Sim_Não_ diz a Lô.: Não
Lô. diz a _Sim_Não_: Não
 _Sim_Não_ diz a Lô.: Sim
Lô. diz a _Sim_Não_: Sim
 _Sim_Não_ diz a Lô.: Sim
Lô. diz a _Sim_Não_: Não
 _Sim_Não_ diz a Lô.: Sim
Lô. diz a _Sim_Não_: Sim
 _Sim_Não_ diz a Lô. : Sim
Lô. diz a _Sim_Não_: Não
 _Sim_Não_ diz a Lô. : Não
Lô. diz a   _Sim_Não_: Não
_Sim_Não_ diz a Lô.: Não
Lô. e _Sim_Não_: São


 (pausa)



 pésjuntos                                                                                               p  e  s    
                  
                          p e s 

                                                                     pésjuntos

                     
                        p e s


                                  p   e   s



                                                              p  e  s


                                                                                                           pés_juntos


juntosèp
                                                           pé_juntos
                                                                                                             


pésjuntos



Refrão: Lo Li Lá Lá Lá Lé Lé Ló Ló / Lo Li Lá Lá Lá Lé Lé Ló Ló




Velada, a valsa se alimenta de prazeres inconsequentes, prazeres que se projetam laminados, de modo a embeber a superfície caiada do corpo-a-corpo. Com que sabor virá?  


 2 - brilho

- Porque assim a força do hoje-agora, futuro não-mais, poderá reagir de maneira favorável a escapar ou pôr chifres onde não se é esperado ter.
- Eu sei. Pareço ter pouco brilho.
- É que ainda falta você cruzar melhor com o acaso. Aí quando se levanta, o brilho aparece. Assim sentado, a sombra aparece.
- Sei...
- Não sabe que o amor suporta o ódio. A felicidade, a ignorância. O encantamento, o erro?
- E eu preciso de tudo, menos de razão. Alguma razão de que mereça?
- Desrazão com uma pitada leve de amor próprio. Nunca chegou a se sentir?
-  Apago a luz, todas as vezes.
- Alguma vez alguém te forçou a querer?
- Nunca sentiu culpa por algo?
- Os anos que te aguardam parecem querer dizer mais.
- Não sirvo para eles.
- E por que perecer pela fragilidade, se teu corpo é janela e porta? Nunca saboreou a profundidade da pele? A transparência do vaso?
-  Por isso desenho. 
- Veja só! Teu brilho está no alcance de suas mãos. Basta arrancar a pesada cortina de teus aventais, para que a luz possa contaminá-la de traços firmes e diagonais.  
- ...

E mais uma vez a alvorada se fazia chance. Se a vida comia do jeito que comia, havia um corpo que respirava à revelia do mundo exterior. Seria ele finalmente possível?


Window Water Baby Moving
                                                                    [Stan Brakhage]
                                                                              1962


3 - dor

Havia me dito que se tratava de algo intratável e inafiançável. Não acreditei. Ao dar um abraço, para além do desânimo que o afetava, percebi o sintoma se deslocar na sua pele vermelha. E isso fez toda a diferença para resolvemos aquele problema de outra forma. Porque a cura não existia, e o tempo não era dinheiro.



One month in the countryside
[Eleni Karaindrou]
"Unreleased recordings" (1990) 


as flores são do tamanho dos passos.
e em cada pétala há uma imagem.
e em cada imagem um ninho
que é possibilidade e átomo.

Espasmos? Não, filosofia de vida.
E como dói. 

4 - crença

Dizem que o tempo é feito de escolhas. Talvez o tempo seja mesmo feito é de diluição. E o que se dilui é a imagem do que se planeja, de cada redoma, de cada cúpula. Pôr abaixo tudo aquilo pelo que se espera, na curva de uma pulsação. Se um corpo é fragilmente sensível a ponto de sentir algo que não se quer, é sinal de resiliência, que não se atingiu ainda a frequência, isto é, que se está à curva da pulsação.

A crença é o que justifica o som no coração. Isso porque o som no coração não é feito de expectativas. Quando a crença é feita de uma lentidão, dá-se o alinhamento das sobreposições. E esse é o segredo que cada coração resguarda.
 

                                       Life in a tin 
                                   [ Bruno Bozzetto]
   
5- lembranças

- Acho que lembro de você.
- Eu não poderia dizer que seja recíproco.
- Deixa pra lá.
-Você está me parecendo alguém agora...
- Já conversamos, não vamos nos repetir. Pule pra próxima.
- Se assim deseja...você não é uma escritora?
- Sério, é uma nova perda de tempo, já que não guarda lembrança. Horas conversando por nada. Eu passo. De qualquer forma, obrigada.  
- Não acho que seja "horas conversando por nada". Até porque se há um hiato, deveria, penso eu, ter alguma vontade em redescobrir, porque é no mínimo curioso. Isso para mim me é maravilhoso, algo como o "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças". Enfim, mas se isso a desagrada, a respeito.
-Parece dispensável demais. Obrigada.
- Não vou mais incomodá-la...agora estou começando a me lembrar de quando sussurrei algo no meio do teu ouvido.
- E se levar um tapa pela invasão? O que faria?
- Foi exatamente o que me disse da última vez. E eu diria algo como "Pensaria que se trata de um caso sério. O que é surpreendente, pois pensava se tratar de algo descompromissado".
- Não me lembro disso ter acontecido.
- E eu diria logo a seguir: "O que fazer se os afetos nos governam? E se é essa a instância do humano?"
- Não me lembro em absoluto. Você está inventando! Adeus.
- E seu dissesse que tenho aqui em mãos um registro do que foi conversado?
- Você teria gravado aquela nossa conversa?
- Ah, então você lembra de mim!
- Você é que não lembrou de mim!
- Na época você disse que teria sido um prazer ter me conhecido.
- Não tenho mais tempo para você. Adeus!
E saía
- Te amo

Escrito em 28.4.2017
Reescrito em 26.12.2017

segunda-feira, 27 de março de 2017

Em contrachance


                                             Berceuse dos elefantes
                                                   [Walter Franco]
                                               Respire Fundo - 1978

Dedos arqueados alquebram-se sobre a taça de vidro. Um (espaço) outro. Presos. Fixos. Amparados pelo vidro gelado. Mas o toque, aparentemente suave, tem a sua pressão. Marca duas fases. Dois começos intermináveis: o de alçar e o de agarrar. E os dedos sobrevêm com a ansiedade e crescem com o medo. O líquido escuro quase nem tem mais peso, mas a mão está ali, a pressionar as digitais contra o vidro, borrando o quase-agora com o calor dos poros e o gesto das pétalas.
Resiliência alçada aos goles, deitada em sonhos de embriaguez    -    soluçada 


de tempos em tempos)

sexta-feira, 10 de março de 2017

Poema estéril


Kentucky Avenue
Tom Waits
[Blue Valentine]



Bolhas sob a superfície intata do líquido.

Uma bola quicando o mármore claro.

Pés

Pés no chão a percorrer a volta da chave na fechadura

paredes de pastilhas coloridas ao redor

Cortinas alvas transparecendo o decote apertado das janelas

Pende o braço laço
Perdido abraço
a fraquejar
adeus
adeus
adeus
adeus
adeus
adeus

A blusa branca, perfumada
A calça azul, renovada
A gravata, o relógio, o cadarço

Num amasso rotundo
de longas voltas
e rodeios

no meio da parede um prego enferruja
o desejo de dizer:
"Sísifo só trabalha para estragar a vida dos outros"

Uma da tarde. Hora de partir.
Eu me pergunto: "até quando?"

Uma e dez da tarde.
Silêncio e memória.

Partiram as asas
Restaram as dúvidas
Uma vez mais

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

mortificar


                                                         O vale dos lamentos
                                                         [Theo Angeloupolos]


Ele me dizia para parar com aquilo, que não era algo bonito de se ver. E de fato não era nada agradável estar diante daquele rosto amassado, entupido de mentiras e algumas verdades. Mas a única coisa que eu conseguia retrucar era com aquele corte de ponta fina e macia que o discurso metia em lençóis, quase nunca brancos. Forjava-se a limpeza com olhos de quem se quer varrer todo e qualquer vestígio. Ele me dizia para parar com aquilo,pois aquele movimento de pudim resiliente cheirava a naftalina, quase tão seco quanto o pó fino sobre as coisas e as guimbas de cigarro enviuvadas. Ele dizia aquilo porque conseguia perceber o escorrimento da dor,o fincar das estacas sobre a pele, o desejo fragilizado.Ele sabia que ali antes havia recalque à resistência. E isso por si só o enternecia, à troco de beijo no rosto, palavras sortidas, penteadas. Ele me deixava,finalmente, os restos. E que faziam de mim alguém mais branda e sorridente. Mas que hei de fazer com tantas partes? Seria esta a razão de ser do ridículo?  

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 Dois pontos
dois pontos
Como quem não consegue unir
Dois pontos
dois pontos
caídos de sina, restantes de nome
papel mosca anel


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Aquela porta não tinha uma saída propriamente. Inevitável retorno. Se sobra uma janela na lembrança de quando se comia sabonete, é para se gracejar o tempo de quando dava certo. Mas hoje o compromisso tem mãos de distanciamento, dizem, que quando caem tem um peso tal que pode ser lavado em silêncio de cocktail, pelo mesmo humor com que se divertiu, de cigarro, um bando de nomes bem ditos e quase tão bem traçados com dicção plena quanto uma obra exemplar.

No entanto, estive descompromissado o dia inteiro. E o cansaço trouxe o sono das longas horas.


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 Dois mosquitos postos em lados extremos, no bocal de uma mesma entrada de USB. Dois cadáveres de mosquitos, em pose esquálida. O pó dos móveis como que escondia as duas figuras. Estava embaçada a luz, estava arranhado o olhar, só cisco, seja de pernas de inseto,  fiapo de roupa ou pelos humanos. Pisca renitente o título: "Farrapo humano" e ao contrário do que possa aparecer, o título tem seu manto de veludo.

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Até porque preciso que os outros me compreendam: às 3 preciso estar no lugar Y; às 7 pretendo chegar no restaurante e às 9 ainda planejo passar no mercado. As horas compreendem o que não quero deixar de saber. As horas persistem como um vício antigo que não se quer interrompido, mesmo se inoperante. Porque se quer falar de passado posto em gavetinhas para se puxar. Porque se quer falar em relíquias, em genialidades não compreendidas, e que possam merecer premiações, haja visto o público leigo e ignorante, a quem se oferece a cadeira pra se desistir antes da hora.

O olhar da instituição sorri escuro.
 
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- Como me ausentar da minha mente?

- É o tipo de coisa que você vai tentar descobrir a vida inteira até o momento da sua morte. 

- E se...

- A pertinência da sua resposta está no fato de que o silêncio não existe. A morte cessa a percepção e a mesura. Dali, uma míriade de infinito pode acontecer...se bem que dizem por aí que carregamos pequenas mortes conosco.

-  No final elas se juntam em uma maior?

- A morte é o que proporciona o furo. Assim, morre-se de amor ou de ódio.

- Se eu te dissesse que nesse momento estou menstruada e que me dói o útero e a cabeça lateja, estaria coberta de morte?

-    E de falta, pois as coisas não param de passar.

 - O ideal é não termos ideia disso.

- A ausência abre os caminhos. 

- Mas...então, como me ausentar da minha mente?

- Não está sentindo alguma melhora? 

- Você me cansa.

- Eu te amo. 

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Ao final da noite ela me dizia que doía o útero, que estava exausta do dia tingido a sangue. Aquela discrição, contudo, tinha um silêncio. Descubro o tempo das alergias.

domingo, 8 de janeiro de 2017

O mundo e o eu





O doce que acabei de mastigar tem um sabor especial. É algo um tanto açucarado que prende na boca, como um rótulo que teimam em dizer. Eu era agora o tempo do próprio tempo em mastigação, sem a qual precisava esquecer, caso não fosse possível tomar uma decisão.

A aposta nascia então como um colar de meu uso. As cores virando carteados, quando engarrafadas em vidro. Aquela alegria tinha fundamentação: era quente, profunda e apoteótica.  Mas não seria possível mais a tensão, o movimento do jogo se não houvesse o que ferir. O mais chocante seria que muitas vezes o corte poderia ser abrupto, após minutos de delicadeza e entendimento, como a guilhotina a cair sobre um pescoço liso. O horror do trauma, seguido pelo esquecimento nas cores encapsuladas.