sexta-feira, 11 de julho de 2014

, como se latisse.

E ele nem sequer deu atenção. As pessoas ao redor viraram os olhos, contorcendo o corpo da maneira que puderam e ele sequer esboçou um movimento. O rosto na direção do prato a ser pesado.
A atendente, após o segundo chamado, perguntou ao alvo crivado de olhos, incômoda:

- Precisa de ajuda, senhor?

Foi quando se deu conta do ridículo.


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Mesmo assim pôs os pés no palco e prosseguiu com o seu intento, a fim de despedaçar a assombrosa distância.

- Sim, estou subindo - as únicas coisas que seus ouvidos alcançaram em baixo tom.

Era evidente que só havia a si mesmo e que, por mais que se aproximasse, era aquilo o que se percebia: um barracão antes a uma praia com mariscos.
Casa de espelhos.
Quando a asa lhe chegava ao pensamento, o que mais gostava de fazer era aproveitar o mel esbanjado no corpo para poder colar as penas. Aí sim planejava o salto. Às vezes era tamanho o enlambuzar que endurecia a pele, numa crosta de arritmias, tensões por todo o gosto.
O grau de sua ciência era tamanha que chegava a pôr os pés pontudos em cima, após cortar o ar.
Andar com o mundo por cima, a preferência dele.
Difícil acreditar que espécies assim habitam e se entrecruzam ao mundo das tartarugas e das galinhas...